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Perícia Médica

CID M75.1: O Que Significa e Quando a Lesão Pode Ser Ocupacional?

CID M75.1 identifica síndrome do manguito rotador. Veja sintomas, fatores de trabalho e o que documentos e perícia precisam analisar.

Dr. Mário Junqueira
Dr. Mário JunqueiraAutoria e revisão médica · CRM-DF 18.666 · RQE 17.972
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21 de fevereiro de 2026
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Atualizado em 3 de setembro de 2026
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7 min de leitura

Conteúdo informativo. A aplicação ao caso concreto exige avaliação médica e jurídica individual.

CID M75.1 e síndrome do manguito rotador relacionada ao trabalho

Resposta direta: o CID M75.1 identifica a síndrome do manguito rotador, uma condição que afeta estruturas responsáveis pelo movimento e pela estabilidade do ombro. O código confirma a classificação do diagnóstico, mas não demonstra sozinho incapacidade, relação com o trabalho, direito a benefício ou resultado favorável em processo.

A Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde associa o M75.1 a fatores que podem existir no ambiente profissional, como movimentos repetitivos, posições forçadas, aplicação de força e vibração. Para saber se um caso é ocupacional, porém, é necessário comparar essas exposições com a história clínica, a cronologia dos sintomas, os exames e outras causas possíveis.

Neste guia, você verá o que o CID M75.1 significa, quais elementos ajudam a investigar o nexo com o trabalho e como essa questão pode ser analisada em uma perícia.


O Que Significa CID M75.1?

Na CID-10 usada no Brasil, o código M75.1 corresponde à síndrome do manguito rotador. O manguito rotador é formado por músculos e tendões que participam da elevação e da rotação do braço e ajudam a estabilizar o ombro.

O mesmo quadro pode aparecer nos documentos médicos acompanhado de termos mais específicos, conforme os achados clínicos e de imagem. Por isso, não é seguro interpretar apenas o código: o relatório médico, o exame físico e os exames complementares precisam ser lidos em conjunto.

Também é importante não confundir diagnóstico com consequência jurídica ou previdenciária. O M75.1 não informa, por si só:

  • a intensidade dos sintomas;
  • se existe limitação funcional ou incapacidade para o trabalho;
  • quando a condição começou;
  • se o trabalho causou ou agravou o quadro;
  • se há direito a afastamento, benefício ou indenização.

Essas conclusões dependem das circunstâncias do caso e da finalidade da avaliação.

Quais Sintomas Podem Aparecer?

Problemas do manguito rotador podem estar associados a dor no ombro, dificuldade para elevar ou girar o braço, perda de força e desconforto noturno. Os sintomas variam, e outras condições também podem produzir queixas semelhantes.

Por isso, a presença de dor não basta para definir o diagnóstico, e uma alteração em ultrassonografia ou ressonância não deve ser interpretada isoladamente. A avaliação clínica ajuda a relacionar os sintomas aos achados e a verificar o impacto funcional. Se a dúvida inicial for mais ampla, consulte também o conteúdo sobre possíveis causas de dor no ombro.

Procure atendimento de saúde para diagnóstico e orientação individual. Este artigo não substitui consulta médica.

CID M75.1 É Doença do Trabalho?

Pode ser, mas não automaticamente. A Portaria GM/MS nº 5.674/2024 inclui a síndrome do manguito rotador na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho e relaciona o M75.1 a exposições como:

  • movimentos articulares repetitivos;
  • posições forçadas;
  • aplicação de força;
  • vibração em atividades de trabalho;
  • fatores psicossociais e aspectos da organização do trabalho descritos na lista oficial.

A presença do código na lista indica que a relação ocupacional deve ser investigada quando houver exposição compatível. Ela não substitui a análise individual do nexo.

Na prática, a avaliação precisa responder a perguntas como:

  1. Quais tarefas eram realmente executadas?
  2. Com que frequência, intensidade e duração os movimentos ocorriam?
  3. Havia pausas, rodízio, ferramentas adequadas ou outras medidas de prevenção?
  4. Quando os sintomas começaram em relação às atividades exercidas?
  5. Existem fatores pessoais, traumáticos ou clínicos que também precisam ser considerados?
  6. Os achados do exame físico e dos exames complementares são coerentes com a história apresentada?

O Ministério da Saúde descreve as LER/DORT como doenças, lesões ou síndromes musculoesqueléticas que podem ser causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. Isso reforça que a investigação deve considerar tanto o aparecimento quanto um possível agravamento, sem presumir a conclusão.

O Que Ajuda a Documentar a Exposição e a Cronologia?

Não existe um documento único que prove o nexo. O conjunto pode incluir, quando disponível:

  • relatórios médicos com diagnóstico, evolução e limitações observadas;
  • exames de imagem e registros de tratamento;
  • atestados e histórico de afastamentos;
  • descrição das tarefas efetivamente realizadas;
  • informações sobre frequência, força, postura, ritmo, pausas e ferramentas;
  • documentos ocupacionais e avaliações do ambiente de trabalho;
  • registros que ajudem a estabelecer quando os sintomas surgiram ou pioraram.

Leve documentos verdadeiros, legíveis e organizados em ordem cronológica. Não é necessário decorar respostas nem exagerar sintomas: descreva as tarefas e as limitações com precisão. O conteúdo sobre como funciona a perícia médica trabalhista explica as diferenças entre a avaliação clínica e a análise do trabalho.

Como a Perícia Pode Analisar o Nexo?

O objeto da perícia depende do processo e dos quesitos formulados. Em uma discussão sobre doença relacionada ao trabalho, a análise pode envolver:

  • confirmação e caracterização do quadro clínico;
  • avaliação funcional do ombro;
  • leitura dos documentos e exames disponíveis;
  • reconstrução da história ocupacional e da cronologia;
  • comparação entre as exposições descritas e os fatores reconhecidos;
  • consideração de causas alternativas e de possível concausa;
  • resposta aos quesitos definidos no processo.

O laudo pericial é um elemento de prova e deve apresentar método, análise e conclusões compatíveis com o objeto examinado. A decisão do processo não decorre apenas do CID nem de uma frase isolada do laudo.

Perícia Judicial e Avaliação do INSS Não São a Mesma Coisa

Uma perícia judicial responde às questões determinadas no processo. A avaliação administrativa do INSS segue outra finalidade e pode examinar incapacidade e requisitos previdenciários. O mesmo diagnóstico pode ser analisado de modos diferentes conforme o objeto, os documentos e o período considerado.

Por isso, evite usar “doença”, “incapacidade”, “nexo ocupacional” e “direito a benefício” como sinônimos. São questões relacionadas, mas distintas.

Qual É o Papel do Assistente Técnico?

Nos processos regidos pelo Código de Processo Civil, o art. 465 permite às partes indicar assistente técnico e apresentar quesitos. O art. 466 estabelece que o perito deve assegurar aos assistentes acesso e acompanhamento das diligências e exames, com comunicação prévia nos autos.

Quando indicado, o assistente técnico pode estudar o objeto da prova, ajudar a formular quesitos, acompanhar os atos permitidos e analisar o laudo. Sua atuação não garante uma conclusão favorável e deve permanecer dentro de sua formação e do escopo definido no processo. Veja o guia sobre o papel do assistente técnico em perícia médica.

Perguntas Frequentes Sobre o CID M75.1

CID M75.1 Dá Direito a Aposentadoria ou Benefício?

O código sozinho não concede benefício nem aposentadoria. A análise depende, entre outros requisitos aplicáveis, da existência e duração de incapacidade, da qualidade do vínculo previdenciário e do procedimento correspondente. Procure orientação individual para o seu caso.

Uma Ressonância Prova Que a Doença É Ocupacional?

Não. O exame pode documentar alterações anatômicas, mas a relação com o trabalho exige análise da exposição, da cronologia, do quadro clínico e de outros fatores possíveis.

Estar na Lista do Ministério da Saúde Prova o Nexo?

Não. A lista oficial reconhece associações que orientam a investigação. O nexo de um caso concreto precisa ser fundamentado com elementos individuais.

O Trabalho Precisa Ser a Única Causa?

A avaliação pode discutir se o trabalho causou ou contribuiu para o agravamento do quadro. A resposta depende das provas, do objeto pericial e das normas aplicáveis; não pode ser presumida a partir do CID.

Em Resumo

O CID M75.1 significa síndrome do manguito rotador. A condição pode ter relação com o trabalho quando existem exposições compatíveis, mas o código não resolve sozinho a questão do nexo, da incapacidade ou de eventual direito.

Uma análise responsável combina história clínica, tarefas efetivamente realizadas, cronologia, exame físico, exames complementares e fatores alternativos. Em processo judicial, esses elementos devem ser relacionados ao objeto da perícia e aos quesitos apresentados.


Análise médico-pericial

O CID M75.1 não define o nexo sozinho

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Dr. Mário Junqueira

Dr. Mário Junqueira

CRM-DF 18.666 · RQE 17.972

Médico especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas. Ex-Corregedor do CRM-DF. Master in Law, Penn Law (Ivy League). +1.000 atuações em 3 países.

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