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Perícia Médica

Problemas na Coluna Lombar Adquiridos no Trabalho: Causas, Direitos e Como Provar na Perícia Médica

Problema na coluna pode ter relação com o trabalho. Entenda nexo, incapacidade, documentos e o que a perícia médica analisa em cada caso.

Dr. Mário Guimarães
Dr. Mário GuimarãesAutoria e revisão médica · CRM-DF 18.666 · RQE 17.972
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22 de fevereiro de 2026
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Atualizado em 26 de agosto de 2026
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7 min de leitura

Conteúdo informativo. A aplicação ao caso concreto exige avaliação médica e jurídica individual.

Avaliação ergonômica de riscos para a coluna lombar no trabalho

Resposta direta: um problema na coluna lombar pode ser reconhecido como doença do trabalho quando as tarefas ou as condições laborais contribuíram para causar ou agravar o quadro. O diagnóstico, o código CID, a ressonância e o nome da profissão, isoladamente, não comprovam nexo ocupacional, incapacidade, estabilidade, benefício ou indenização.

A análise precisa separar quatro perguntas: qual é a condição de saúde, qual foi a exposição no trabalho, se existe limitação funcional e se há relação causal ou concausal entre elas. A resposta depende da história clínica e ocupacional, da cronologia, das tarefas reais e dos documentos de cada caso.


O Que Pode Ser Considerado Problema na Coluna Lombar?

Lombalgia significa dor na região inferior das costas; ela é um sintoma, não uma causa única. O quadro pode envolver músculos, ligamentos, articulações, discos intervertebrais ou estruturas nervosas. Entre os diagnósticos possíveis estão distensão, discopatia, protrusão ou hérnia de disco, artrose, estenose e espondilolistese.

A alteração vista em um exame de imagem precisa ser relacionada aos sintomas, ao exame clínico e à capacidade funcional. Uma ressonância pode mostrar alterações sem explicar toda a dor, assim como uma pessoa pode ter limitação relevante mesmo sem um achado radiológico proporcional.

O Ministério da Saúde orienta que a avaliação da dor lombar comece pela história e pelo exame físico, com exames complementares indicados conforme o quadro. Para uma condição específica, consulte também o guia sobre hérnia de disco lombar ocupacional.

Quando a Dor ou Doença da Coluna Pode Ter Relação com o Trabalho?

A lista atual de doenças relacionadas ao trabalho do Ministério da Saúde associa transtornos da coluna a exposições biomecânicas. A NR-17 também determina que a organização e as condições de trabalho sejam adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

Na investigação individual, podem ser relevantes:

  • movimentação manual de cargas, sobretudo com frequência, força ou pega inadequada;
  • flexão ou rotação repetida do tronco e posturas forçadas;
  • permanência prolongada na mesma posição sem recuperação adequada;
  • empurrar, puxar ou sustentar cargas;
  • vibração de corpo inteiro, como em certas atividades de condução e operação de máquinas;
  • ritmo, jornada, pausas, equipamentos e organização do trabalho.

Esses fatores não tornam todo problema lombar automaticamente ocupacional. É necessário descrever intensidade, frequência e duração da exposição, além de verificar se a cronologia e o mecanismo são compatíveis com o quadro. O cargo registrado na carteira não substitui a descrição do trabalho executado na prática.

Doença Degenerativa Exclui a Relação com o Trabalho?

Não necessariamente. Alterações degenerativas podem estar relacionadas a idade, genética, condições clínicas, traumas e atividades fora do trabalho. Esses fatores devem ser considerados, mas a presença de um deles não demonstra, sozinha, que o trabalho foi irrelevante.

A Lei nº 8.213/1991 define doença do trabalho e também equipara a acidente do trabalho a situação em que o trabalho, embora não seja a causa única, contribui diretamente para a lesão ou para a redução ou perda da capacidade. É a análise de concausa.

Isso não significa que toda doença degenerativa seja ocupacional. Significa que a conclusão deve examinar o conjunto do caso: condição clínica, exposição laboral, fatores alternativos, cronologia e repercussão funcional. A expressão “degenerativo” no laudo de imagem não resolve sozinha a questão do nexo.

Veja também o que é considerado doença do trabalho.

Diagnóstico, Nexo e Incapacidade São Avaliações Diferentes

Um diagnóstico de lombalgia ou discopatia não informa automaticamente se a pessoa está incapaz. A capacidade depende das limitações atuais e das exigências concretas da atividade. Permanecer sentado, dirigir, caminhar, flexionar o tronco ou movimentar cargas podem ter repercussões diferentes em cada função.

Também pode existir:

  1. doença sem incapacidade atual;
  2. incapacidade sem relação com o trabalho;
  3. relação com o trabalho sem incapacidade atual;
  4. incapacidade temporária ou permanente, parcial ou total, conforme o objeto da avaliação.

Por isso, o perito deve responder separadamente qual é o diagnóstico, se há nexo causal ou concausal, quais tarefas estão limitadas e qual é a duração provável dessa limitação. Não existe um diagnóstico de coluna que, por si só, assegure aposentadoria ou outro benefício.

O Que a Perícia Médica Deve Analisar?

A Resolução CFM nº 2.323/2022 orienta que a investigação da relação entre adoecimento e trabalho considere, entre outros elementos, a história clínica e ocupacional, o estudo do local e da organização do trabalho, os riscos identificados, dados epidemiológicos e literatura científica.

Em um caso de coluna lombar, a análise pode incluir:

Quadro clínico e funcional

O perito relaciona sintomas, exame físico, prontuários, tratamento e exames complementares. Também verifica como o quadro afeta movimentos e tarefas relevantes para o trabalho discutido.

Exposição ocupacional

A descrição deve informar pesos, frequência, posturas, força, vibração, pausas, jornada, equipamentos, período de exposição e mudanças de função. Fotografias e documentos do posto podem ajudar quando são autênticos e correspondem ao período analisado.

Cronologia

Importam as datas de início dos sintomas, atendimentos, afastamentos, tratamentos, vínculos, funções e mudanças de atividade. Uma linha do tempo coerente ajuda a comparar exposição e evolução clínica.

Fatores alternativos

Idade, doenças prévias, traumas, atividades extralaborais e outras exposições devem ser considerados. O objetivo não é ignorar esses fatores nem presumir que eles excluem o trabalho, mas avaliar a contribuição de cada elemento com base nas evidências disponíveis.

Saiba também como funciona a perícia médica trabalhista.

Quais Documentos Podem Ajudar a Demonstrar o Caso?

Reúna apenas documentos verdadeiros, legíveis e relacionados ao período discutido:

  • relatórios médicos com diagnóstico, achados, tratamento, evolução e limitações;
  • laudos de ressonância, tomografia ou outros exames efetivamente realizados;
  • prontuários, prescrições, fisioterapia e registros de afastamento;
  • descrição detalhada das funções e das tarefas executadas na prática;
  • documentos ocupacionais disponíveis, como exames ocupacionais, PPP, LTCAT e análise ergonômica;
  • CAT, comunicações internas e registros de mudanças ou adaptações do posto, quando existirem;
  • linha do tempo com trabalhos, sintomas, atendimentos e tratamentos.

O relatório do médico assistente pode esclarecer o quadro clínico e a repercussão funcional. A conclusão pericial, porém, deve considerar o conjunto dos elementos e a finalidade concreta da perícia. Antes do ato, veja o que levar à perícia médica.

Quando Procurar Atendimento de Saúde Sem Esperar a Perícia?

A perícia não substitui diagnóstico nem tratamento. Procure avaliação médica imediata diante de perda de força progressiva, alteração do controle urinário ou intestinal, perda de sensibilidade na região do períneo, febre associada à dor, trauma relevante ou outro sinal de alerta indicado por um profissional de saúde.

Qual É o Papel do Assistente Técnico Médico?

O Código de Processo Civil permite às partes indicar assistente técnico e apresentar quesitos. Em um caso de coluna lombar, o assistente técnico médico pode:

  • revisar o objeto da perícia e os documentos disponíveis;
  • organizar perguntas sobre diagnóstico, capacidade e nexo;
  • verificar se tarefas, cronologia e fatores alternativos foram analisados;
  • acompanhar o exame quando cabível;
  • avaliar a coerência entre exame, documentos e conclusão;
  • elaborar parecer técnico concordante, complementar ou divergente.

Essa atuação não garante o reconhecimento do nexo nem substitui o advogado. O escopo depende da fase processual e da questão médica concreta. Conheça o que faz o assistente técnico em perícia médica.

Fontes Oficiais

Conclusão

Um problema na coluna lombar pode ter relação com o trabalho, inclusive como concausa, mas a conclusão não decorre apenas do CID ou da ressonância. Uma avaliação fundamentada relaciona quadro clínico, capacidade funcional, tarefas reais, intensidade e duração da exposição, cronologia e fatores alternativos.

Se existe processo e uma questão médica concreta a esclarecer, conheça a assistência médico-pericial para partes e verifique se o serviço corresponde à fase do caso.

Análise médico-pericial

A ressonância não demonstra o nexo sozinha

A equipe pode revisar tarefas, cronologia, documentos médicos e a fase do processo para explicar o escopo técnico possível, sem promessa de resultado.

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Dr. Mário Guimarães

Dr. Mário Guimarães

CRM-DF 18.666 · RQE 17.972

Médico especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas. Ex-Corregedor do CRM-DF. Master in Law, Penn Law (Ivy League). +1.000 atuações em 3 países.

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