Resposta direta
O perito oftalmologista pode ser pertinente quando a visão é elemento central da controvérsia e a prova exige conhecimento específico para avaliar achados, repercussões funcionais ou relação com o fato discutido.
A perícia não se limita a repetir um diagnóstico ou a medida de um exame. Ela precisa responder ao objeto: por exemplo, quais funções visuais estão comprometidas, como isso se relaciona à atividade analisada e quais critérios legais se aplicam à finalidade.
Quando a avaliação oftalmológica pode ser necessária?
Entre os contextos possíveis estão:
- discussão sobre capacidade para atividade com exigência visual específica;
- dano ocular após acidente ou procedimento;
- deficiência visual em processo administrativo ou judicial;
- análise de visão monocular;
- progressão de doença ocular e repercussões documentadas;
- necessidade de adaptação ou apoio;
- controvérsia sobre nexo causal ou dano corporal.
Um diagnóstico não responde automaticamente a essas perguntas. A avaliação deve considerar o melhor estado visual possível com correção, o histórico, os exames e a função efetivamente discutida.
O que pode ser examinado?
De acordo com o objeto e a indicação médica, podem ser considerados:
- acuidade visual com e sem correção;
- campo visual;
- motilidade ocular e visão binocular;
- exame das estruturas oculares;
- exames complementares pertinentes;
- estabilidade ou progressão do quadro;
- resposta a tratamento e recursos ópticos;
- repercussão em tarefas e participação;
- coerência entre documentos, exame e conclusão.
Nem todos esses elementos são necessários em toda perícia. O profissional deve selecionar método suficiente e explicar como os achados respondem aos quesitos.
Deficiência visual e incapacidade são a mesma coisa?
Não. Deficiência, incapacidade laboral, inaptidão para uma tarefa e dano corporal são conceitos diferentes.
A Lei Brasileira de Inclusão define pessoa com deficiência a partir de impedimento de longo prazo em interação com barreiras e prevê avaliação biopsicossocial quando necessária. Já a capacidade laboral depende das exigências concretas da atividade e da repercussão funcional individual.
Assim, uma pessoa pode ter deficiência e desempenhar diversas atividades com autonomia ou adaptações. Também pode existir limitação para uma tarefa visual específica sem que isso resolva, por si só, todos os critérios de uma política pública.
E a visão monocular?
A Lei nº 14.126/2021 classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, para todos os efeitos legais. A aplicação a um benefício, vaga, concurso ou processo ainda pode exigir comprovação médica, documentação e procedimento próprios.
O texto legal não deve ser usado para prometer resultado automático. É necessário demonstrar a condição e atender às regras da finalidade. Leia também o conteúdo sobre o debate da visão monocular.
Como funciona a perícia oftalmológica judicial?
Objeto e quesitos
O juízo define o que precisa ser esclarecido. Pelo CPC, as partes podem indicar assistentes técnicos e apresentar quesitos.
Análise dos registros
Relatórios, prescrições, exames seriados, tratamentos e registros anteriores ou posteriores ao evento podem mostrar evolução e estabilidade.
Exame direcionado
O perito realiza os procedimentos pertinentes ao objeto, dentro de condições técnicas adequadas, e registra limitações do exame.
Laudo e manifestação das partes
O laudo deve apresentar metodologia, análise e conclusão. Assistentes podem examinar a coerência dos dados e apresentar pareceres ou quesitos de esclarecimento na fase processual apropriada.
Quais documentos podem ser úteis?
- relatórios oftalmológicos com história e evolução;
- prescrições de correção óptica;
- medidas de acuidade visual;
- campimetria e outros exames relacionados ao caso;
- registros de cirurgias e tratamentos;
- descrição da atividade e de suas exigências visuais;
- documentos do acidente ou evento;
- formulários oficiais da finalidade pretendida.
Um laudo antigo pode documentar o início do quadro, mas talvez não descreva a situação atual. Um documento recente, por outro lado, pode não reconstruir a cronologia. Ambos precisam ser interpretados no contexto.
Qual é o papel do assistente técnico?
Quando a questão visual é relevante, o assistente pode:
- organizar os registros em ordem cronológica;
- relacionar exames às perguntas do processo;
- formular quesitos específicos;
- acompanhar o ato quando autorizado;
- avaliar método, condições do exame e fundamentação;
- elaborar parecer e perguntas de esclarecimento.
O assistente é profissional de confiança da parte, mas deve manter rigor científico. Ele não substitui o tratamento e não pode garantir incapacidade, deficiência, indenização ou benefício. Conheça o escopo da assistência técnica em perícia médica.
O perito precisa ser oftalmologista?
O CPC determina a nomeação de perito especializado no objeto. A necessidade de conhecimento oftalmológico específico depende da complexidade e da controvérsia.
Se um profissional for apresentado como especialista em Oftalmologia, a qualificação deve ser confirmada pelo RQE. A análise do caso não deve presumir credenciais nem transformar a escolha da especialidade em previsão de resultado.
Fontes oficiais
- Código de Processo Civil, arts. 464 a 480
- Resolução CFM nº 2.430/2025 — ato médico pericial
- Lei Brasileira de Inclusão — Lei nº 13.146/2015
- Lei nº 14.126/2021 — visão monocular
Próximos passos
Antes de contratar assistência, é preciso verificar se a visão é realmente o ponto controvertido, quais exames existem e qual finalidade legal está em discussão.
A visão é uma questão central no processo?
A PericialMed pode avaliar o objeto, os exames e os prazos para definir a viabilidade e o escopo da assistência técnica.
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